sexta-feira, 26 de novembro de 2010

3 - A magia Runica

 Magia Rúnica.

A magia rúnica básica é essencialmente talismânica e consiste em atrair as propriedades de uma Runa ou de uma combinação delas para a esfera pessoal do mago, operação que se realiza com a gravação das Runas apropriadas nos objetos/locais que devem ser imantados e a invocação dos deuses a elas relacionados para que estes abençoem a sua intenção. No passado, podíamos ver Runas gravadas nas paredes das casas, em canecas, espadas e escudos, só para citar alguns exemplos. Bernard King, no livro Elemento das Runas, cita um exemplo tirado do Sigrdrifomál:

Runas de triunfo, se desejar
Você irá gravar no punho da espada,
Algumas na bainha, algumas na lâmina,
E evocar Tyr duas vezes.


Originalmente, os diferentes povos de língua germânica formavam o que denominamos formalmente de religião teutônica mas que pode ser conhecida pelos nomes Galdr ou Odinismo, Ásatrú (um termo do nórdico antigo para "fé nos Æsir"), Seiðr (grupo voltado especificamente ao culto da deusa Freyja) ou simplesmente Troth, que pode ser traduzido por "fé" ou, mais especificamente, "lealdade"). Estes grupos também se utilizam das Runas em seus rituais mágicos mas, neste caso, existem alguns "pré-requisitos", como a iniciação em um grupo apropriado, chamado gild, para se tornar um vitki, ou seja, um mago teutônico.
Magia, na definição de Aleister Crowley, é "a arte de causar mudanças através da vontade". McGregor Mathews, de uma forma não muito diferenciada, afirma que magia é "a ciência do controle das forças na natureza".

Ao se referirem ao conceito de wyrd (destino), Marijane Osborn e Stella Longlans, autoras do livro O Jogo das Runas (Ed. Siciliano), fazem um comentário interessante, alegando que o destino só controla a vida de um homem quando ele, por algum tipo de limitação, não assume a responsabilidade pelo seu futuro. Seja como for, todos os princípios morais e mágicos do Troth estão presentes nos textos tidos como clássicos na mitologia nórdica, como é o caso do Edda, que existe numa versão prosa, escrito por Snorri Sturluson por volta de 1235, e numa versão verso, datada de aproximadamente 900 DC. O Hávamál, por exemplo, faz parte do Edda em Verso, também conhecido como Edda Antigo.
O Enchanted Glyph, já citado para a compra de kits rúnicos em prata, bronze ou cobre, também oferece belas peças de joalheria, como um anel com todos os símbolos do Fuþark Antigo gravados de ponta-a-ponta e pingentes com uma única Runa gravada (Ex: Wunjo). Ainda no campo dos adornos pessoais,  Tara Hill Designs  também oferece talismãs com diferentes combinações de Runas com um único propósito, como proteção, sorte ou amor. Estes combinações rúnicas, conhecidas em inglês como Bind Runes (em português seria algo como Runas atadas ou amaradas), nada mais são do que a gravação de duas ou mais Runas num único símbolo, estetica e criativamente aproveitando as similaridades gráficas, quando possível. Para obter sucesso, por exemplo, há pelo menos duas opções com as Runas Fehu, Sowilo, Oþala e Wunjo:
Enquanto o anel pode ser considerado um poderoso talismã de proteção, reunindo todas as energias do Fuþark, o pingente com Wunjo poderia ser utilizado para atrair a alegria, a harmonia e a camaradagem por onde quer que você passe. Eu o recomendaria, por exemplo, para alguém que não consegue ver nada de bom na sua vida ou para alguém novo em um grupo de trabalho ou de estudo. No primeiro caso a pessoa aprenderia a ver a beleza presente em todas as coisas e a se abrir para as oportunidades que talvez existam mas que ela não consegue perceber com o seu pessimismo. No segundo caso, o objetivo é evitar o isolamento, seja por causa da atitude das outras pessoas ou dela própria.
Uma outra forma de atrair a energia das Runas é utilizando o próprio corpo como "antena", o que pode ser feito através de asanas específicos que procuram reproduzir a forma de cada Runa. O termo asana é de origem sânscrita e se refere às posturas yogues. Dentro da tradição rúnica, contudo, uma única postura é chamada de Stádhagaldr e uma seqüência delas é chamada de Stöður. Na ilustração ao lado temos apenas a postura Raiðo mas se você acessar o site de Aufsteigender Adler será possível visualizar através de fotos o alfabeto inteiro.
Depois de alguns minutos de interiorização, a recomendação é que o mago assuma a posição da sua escolha , entoe o respectivo mantra (o valor fonético da letra) e recite o Antigo Poema Rúnico Inglês logo em seguida. O próximo passo, de olhos fechados, é visualizar a Runa à sua frente refletindo sobre os seus significados. Se tudo der certo, é possível que se sinta de imediato alguma "vibração diferente" em todo o corpo, por isso o exercício exige acompanhamento e moderação. O Stöður não é diferente. Muito semelhantes à prática do Tai Chi Chuan, o importante é ter em mente a seqüência correta (o Fuþark completo, por exemplo) e desenvolver uma "coreografia" harmoniosa.
Para quem prefere meditar sentado a opção é reproduzir os símbolos rúnicos apenas nas mãos. Na tradição oriental é dado o nome de mudra para estes gestos. Não sei se existe um nome específico em alemão para isso. No mesmo link indicado acima você também vê os mudras.
Antes de passar para as propriedades mágicas de cada Runa, devemos considerar, em alguns casos, a utilização de outros instrumentos para a invocação e canalização destas energias. Um altar Troth, por exemplo, não difere muito de um altar Wicca, com as representações do Deus (Óðinn), da Deusa (Freyja) e dos Quatro Elementos. Um produto muito simpático da Tara Hill Designs é um bastão rúnico (elemento Fogo) em madeira com o Fuþark entalhado, muito embora este tipo de sofisticação não seja realmente necessário. Apenas como esclarecimento, o nome da esposa de Óðinn é Frigg, e não Freyja. Contudo, é esta, e não a primeira, que divide com Óðinn os atributos de natureza mística.


Técnicas de Leitura de Runas

O Runemal tem várias opções para a consulta ao oráculo. A mais simples delas é usar as Runas como geralmente usamos as cartas do Tarot, ou seja, você estabelece antecipadamente quantas Runas vai selecionar e qual o atributo de cada seleção. O exemplo mais comum é perguntar mentalmente ou em voz alta qual a Runa que melhor descreve uma determinada situação, colocar a mão dentro da sacola e escolher aleatoriamente uma pedra. Do mesmo modo podemos escolher três pedras, uma representando o passado, outra o presente e a terceira o futuro de uma determinada situação. Precisa de um conselho sobre o que fazer? Basta selecionar mais uma Runa... Se o seu jogo terá 5, 11 ou 24 Runas é só uma questão de escolha. Você pode consultar alguns livros sobre Tarot e escolher entre diferentes jogos ou criar o seu, não importa.

A outra forma de se consultar as Runas pode ser um pouco mais complicado e deve ser tentado à medida que a sua interpretação for se tornando mais fluente. A exemplo da consulta aos Búzios, o Mestre de Runas coloca as 24 Runas nas mãos e as deixa cair sobre a toalha previamente marcada. A leitura é feita de acordo com as Runas presentes em cada área com um significado específico. Pode ser que um campo fique vazio, que outro tenha 3 Runas ou que uma Runa caia na linha que divide duas áreas. Esteja preparado para tudo isso.
A Mandala Astrológica, por exemplo, é um jogo clássico no Tarot. Com as Runas você pode sortear 12 pedras de dentro da sacola formando um círculo ou lançar as Runas numa toalha com um círculo dividido em 12 partes iguais pintado. O tipo de gráfico a ser utilizado fica a critério do seu conhecimento e criatividade (eu plastifiquei algumas mandalas e as uso sobre a toalha, de acordo com o meu objetivo, ao invés de confecionar várias toalhas, o que é mais trabalhoso).
Cabe a você, ainda, decidir o que fazer com as Runas viradas para baixo. Não se trata de uma Runa invertida (Ex: Oþala invertida), veja bem, até porque algumas Runas são simétricas, mas de uma Runa com a face virada para baixo. Estas Runas podem ser retiradas do jogo ou consideradas "negativas" naquelas áreas de experiência.
Yggdrasil.jpgUm exemplo de jogo onde as Runas são lançadas sobre um gráfico é sugerido pelo Thorsson no livro At the Well of Wyrd, baseado nos Nove Mundos de Yggdrasil. Na ilustração ao lado temos a ilustração. Escrevi as iniciais de cada mundo apenas como referência para a descrição a seguir:
Ásgarðr: [As] O reino dos Æsir e da consciência arquetípica. Espiritualidade, os aspectos velados de uma questão, assuntos relacionados à honra do indivíduo e as influências positivas do passado (incluindo vidas passadas) que favorecem o presente. .
Ljóssálfheimr: [Lj] O mundo dos elfos luminosos, do planejamento, da cognição e do intelecto. Aspectos mentais, assuntos de família e as direções que devem ser tomadas para a realização das promessas de Ásgarðr.
Miðgardr: [Mi] O reino dos homens e da realidade manifestada. O mundo tangível, o corpo e o Ego.
Swartálfheimr: [Sw] O reino dos anões, da criatividade, da memória e das emoções.Também assuntos financeiros~, questões sobre os quais se deve refletir e direções que devem ser tomadas para a realização das promessas de Hel. 
Hel: [He] O mundo dos mortos e das influências inconscientes, secretas ou ancestrais. Desejos sufocados ou escondidos, funções automáticas de comportamento e e as influências negativas do passado (incluindo vidas passadas) que restringem o presente.
Muspellheimr: [Mu] O reino do fogo e das influências ativas externas.

Niflheimr: [Ni] O reino do gelo e das influências externas restritivas.

Vanaheimr: [Va] O reino dos Vanir, da vitalidade, da harmonia e do bem estar. Tudo o que promove o crescimento. Também os relacionamentos sentimentais.
Jötunheimr: [Jo] O reino dos gigantes, da crise, das mudanças ou das oportunidades, de acordo com o seu ponto-de-vista..
Os mundos dentro do círculo referem-se às influências mais subjetivas/psicológicas da leitura. Os mundos fora do círculo referem-se às influências mais objetivas da leitura. Ljóssálfheimr e Swartálfheimr são pessoais. Ásgarðr e Hel são transpessoais. Miðgardr, ao centro, deve ser considerado, uma síntese de todas as energias.
Para finalizar, é considerado parte do ritual a invocação prévia das Norns, de Óðinn e/ou de Freyja para abençoar e orientar a leitura. Outra tradição afirma que devemos sempre estar voltados para o Norte em qualquer prática Rúnica, seja mágica ou divinatória. Quando ao ar livre, em contato com a natureza, o Mestre de Runas sempre procura se posicionar sob uma árvore frondosa (virado para o Norte) e aguardar, depois da leitura, a confirmação pelos omens. Esta confirmação consiste na delimitação visual de uma área ao seu redor (algo em torno de uns 10m de diâmetro) e na espera do surgimento de algum animal dentro dele: animais escuros são auspiciosos e representam uma confirmação de todos os aspectos da leitura realizada; animais claros sinalizam que nem tudo foi percebido de maneira correta.


Colunas e Simetrías Rúnicas

Observe que o arranjo clássico pode ser lido também tendo como base suas colunas e simetria:

runas1.jpg


Análise das Colunas


1ª Coluna: A força (Fehu) , a forma (Hagall) e a força dirigida pela forma (Týr).

2ª Coluna: A limpeza e purificação pela água (Uruz) , a limpeza e purificação pelo fogo (Nauðiz) e o recipiente onde ocorre a limpeza e a transformação (Beorc).

3ª Coluna: A unidade dinâmica e desagregadora (Þorn), a unidade imóvel e integrativa (Isa) e a unidade dinâmica e integrativa (Ehwaz).

4ª Coluna: A semente plantada por Óðinn (Ansuz), o crescimento da semente na humanidade (Jera) e o mago reclamando sua Herança Divina (Mannaz).

5ª Coluna: A jornada solar (Raiðo), a jornada mística (Eihwaz) e a jornada aquática (Laguz).

6ª Coluna: O poder oculto da criação (Kenaz), as forças ocultas do Poço de Wyrd que criam mundos e seres (Peorð) e o poder enviado a domínios ocultos para o benefício da criação (Ingwaz).

7ª Coluna: A lealdade entre homens e deuses (Gebo), a comunicação entre homens e deuses (Algiz) e a unidade transcendente de homens e deuses (Dæg).

8ª Coluna: A harmonia e unidade da vontade (Wunjo), a vontade mágica triunfante e a herança do ser (Sowilo) e a fortaleza da vontade (Oþala).

Análise das Simetrias

Fehu - Poder móvel Oþala - Poder imóvel
Uruz – Formação Dæg - Paradoxo
Þorn - Força direta e agressiva; o macho fálico; o que rompe Ingwaz - Força passiva e sublimada; o macho castrado; o contenedor
Ansuz - Inspiração consciente; transformação Laguz - Aviso inconsciente; crescimento
Raiðo - Estrutura da sociedade Mannaz - Estrutura humana
Kenaz - Controle adquirido através da habilidade técnica Ehwaz - Controle adquirido através da união e da confiança  mútua
Gebo - Troca mútua; crescimento através da interação Beorc - Recepção e retenção; crescimento através da gestação
Wunjo - Harmonia social conquistada através do amor Týr – Harmonia social conquistada através da lei
Hagall - A forma imóvel; a estrutura universal Sowilo - A força móvel; a vontade individua
Nauðiz - Resistência e auto-suficiência Algiz - Aceitação e atração das bençãos divinas
Eihwaz - Iluminação vertical e instantânea; o eixo Jera - Crescimento gradativo em espiral; a órbita
Isa – Contração e imobilidade Peorð - Evolução interativa




O Modelo Ættir
Como já foi escrito, o Modelo Ættir é uma forma padronizada de apresentação das 24 Runas do Fuþark Antigo. Ætt significa tanto "oito" como "família" (ættir = plural, ætt = singular) e, no caso das Runas, estes dois significados se mesclam para formar 3 "familias" de "oito" elementos.
Embora não se conheça uma razão lógica ou lingüística para que as Runas sejam agrupadas nesta ordem, o Modelo Ættir é tão forte na cultura nórdica que as Runas podem, alternativamente, ser representadas de forma cifrada através de números ou traços que as localizem no tabuleiro. A Runa Jera, por exemplo, pode ser identificada por 2:4 ou pela combinação (simples ou artística) de dois traços compridos e 4 traços curtos significando que Jera é 4ª Runa do 2º ætt.
Nesta página vamos agrupar as Runas de três formas diferentes para analisarmos, num primeiro momento, a maneira como elas se relacionam dentro do Modelo. As análises individuais serão apresentadas através de outros links.
Apenas porcuriosidades, nas apresentações individuais veremos que cada Runa pode ser identificada de pelo menos quatro formas diferentes, de acordo com o idioma (Germânico, Gótico, Inglês Antigo e Nórdico Antigo). E embora eu busque padronizar aqui a nomenclatura de um mesmo idioma , na verdade eu não faço isso no meu dia-a-dia e nem acredito que isso possa ser problema para alguém. Por isso, não se importe se, por falta de atenção, eu usar o nome Kenaz em uma frase ou simplesmeste Ken em outra, ok?






Análise dos Ættir.

Primeiro Ætt


runa-primeiro.jpg
É formado pelos elementos e habilidades que o mago deve desenvolver em si: força mágica (Fehu), poder de formação (Uruz), força dinâmica (Þorn), inspiração (Ansuz), rítmo (Raiðo), controle de energias e sabedoria em sua aplicação (Kenaz), habilidade em dar e receber poder (Gebo) e personalidade integrada (Wunjo). São tradicionalmente chamadas "As Oito Runas de Freyr ou de Frejya" e referem-se ao plano material da manifestação.

Segundo Ætt


runa-segundo.jpg

Reúne as Runas ligadas à formação do Multiverso e são os instrumentos de iniciação do mago nos níveis superiores da consciência: a compreensão da estrutura do universo (Hagall), o despertar do fogo interno (Nauðiz) e do gelo da consciência (Isa), o crescimento da semente do poder (Jera), a subida por Yggdrasill para a iniciação em seus nove mundos (Eihwaz), o desenvolvimento da habilidade de compreender e usar as forças do Ørlög (Peorth), a comunhão com os deuses (Algiz) e o domínio da vontade mágica através da Roda do Sol (Sowilo). Também são chamadas "As Oito Runas de Hagal ou de Heimdallr" e referem-se ao plano psicológico ou espiritual da manifestação.

 

 

Terceiro Ætt


runa-terceiro.jpg

Traz as Runas de aspectos transcendentes através da expressão arquetípica de alguns dos principais deuses do panteão nórdico: o Pai Celeste (Týr), a Grande Mãe (Beorc), os Deuses Gêmeos (Ehwaz), a Luz Divina presente em cada ser humano (Mannaz), o poder além da vida (Laguz), o Deus do Sacrifício (Ingwaz), Paradoxo Odínico (Dæg) e a herança ancestral (Oþala). Também são chamadas "As Oito Runas de Tyr" e referem-se ao plano astral da manifestação.


Guia de Pronuncia Rúnica
Com vista a esclarecer as dúvidas sobre a prnuncia correta dos nomes de cada uma das runas, apresentamos agora este breve guia:
01. Mannaz
Mánaz
a como na palavra pai
02. Gebo
Gueibo
e como em rei, o como em bolo
03. Ansuz
Änsuz
a como na palavra pai, u como em uva
04. Othila
ocíla
o como em bolo, th como em tara
05. Uruz
Úruz
u como em uva
06. Perth
Perth
e como em verso
07. Nauthis
Nauthis
au como em aula, th como em tara
08. Inguz
Íngus
u como em uva
09. Eihwaz
Êiuáz
ei como em rei, a como em pai
10. Algiz
Algiz
a como em pai
11. Fehu
fêihu
ei como em rei, hu como em russo
12. Wujo
Uúnjo
j como em dh, o como em bolo
13. Jera
Jéra
j como em dj, a como em faca
14. Kano
Canô
a como em pai, o como em bolo
15. Teiwaz
Têiuás
ei como em rei, a como em pai
16. Berkana
Bercana
e como em beijo
17. Ehwaz
Éuaz
eh como em café, a como em pai
18. Laguz
Lagús
a como em pai
19. Hagalaz
Hagalaz
ha como em raça, a como em pai
20. Raido
Raithô
ai como em vai, th como em corso
21. Thurisaz
Thurisáz
thu como em açucar, a como em pai
22. Dagaz
Thágáz
d como em saco, a como em pai
23. Isa
Ísa
i como em ilha, a como em pai
24. Sowelu
Souelú
o como em bolo, e como em medo




valknutr.jpg
Da teoria para a prática, alguém que se propõe a lançar Runas precisa montar o seu kit básico para a consulta. Este kit consiste das 24 Runas do Fuþark, uma toalha e uma pequena sacola.
Toalha - A toalha é uma representação do espaço sagrado e o seu uso deve ser exclusivo para as práticas oraculares, ou seja, tudo bem que você use uma mesma toalha para Runas, Tarot, Ogham, etc. mas jamais use esta toalha para qualquer outra coisa, como forrar uma mesa para um lanche ou para secar as mãos, sei lá... O tecido pode ser o que mais lhe agradar, assim como a cor. Dê preferência à fibra natural. Eu não entendo muito do assunto, não sei dar nome aos diferentes tipos de tecido, mas é importante, entre outras coisas, que ele não fique marcado depois de desdobrado ou que seja muito leve, a ponto de desarrumar a mesa a qualquer esbarrão...

O tecido pode, ainda, ser liso, estampado ou trazer símbolos pintados sob encomenda. Eu não gosto de toalhas estampadas e, no caso das Runas, acho particularmente legal o uso de símbolos pertinentes ao oráculo desde que prevaleça o bom senso. O Valknutr (a direita) é um dos símbolos de Óðinn, representando a sua habilidade em fazer e desfazer as amarras do destino, é uma boa sugestão. Outra opção é fazer um círculo com todos os símbolos rúnicos, a exemplo do emblema do grupo Rune-Gild, uma sociedade secreta fundada por Edred Thorsson em 1980 e voltada para o estudo tanto da religião como da magia teutônica.

Uma observação importante nesta história é que as Runas podem ser escolhidas uma-a-uma durante o jogo ou lançadas aleatoriamente em conjunto sobre a toalha, de modo que talvez você ache mais interessante marcar na toalha áreas específicas que dêem um "colorido" às Runas que cairem ali... Veja um exemplo do que me refiro na parte das técnicas de leitura.

Sacola - O uso de uma pequena sacola para acomodar as Runas é tradicional. Os Mestres de Runas andavam com ela presa à cintura e muitas vezes eram reconhecidos por causa dela. Não há nada de especial na sua confecção, basta um retângulo costurado em três lados e um cordão para amarrar a "boca do saco". Você pode utilizar um tecido de fibra natural ou couro.

Runas - Esta é uma parte importante! Embora algumas editoras publiquem cartas com os símbolos rúnicos, tradicionalmente fazemos uso de pequenos blocos de madeira gravados, uma referência direta à Yggdrasil, a árvore que sustenta os Nove Mundos. A preferência é geralmente dada à madeira de árvores frutíferas ou consideradas sagradas dentro da tradição nórdica. Você pode pegar um pedaço de madeira tratada e cortar em blocos como pequenos dominós ou escolher um galho com uns 2cm de diâmetro e "fatiá-lo". As Runas podem ser feitas da madeira de uma único tipo de árvore ou de diferentes árvores, de acordo com as associações mágicas. Alguns só fazem suas Runas de galhos caídos na floresta e outros retiram os galhos da árvores, sendo que, neste caso, existe todo um "ritual de solicitação" para que as Runas venham de uma doação e não de um "estupro ecológico".

Existe no Brasil um kit que é vendido gravado em sementes e esta opção é altamente válida.
A outra opção para as Runas é a gravação ou pintura de cristais. Escolha 24 pedras mais ou menos no mesmo formato e grave ou pinte um símbolo em cada uma delas. Eu já comprei vários conjuntos prontos gravados e usei uma caneta de tinta dourada para pintar um jogo de Runas em Olho de Tigre. Você pode associar as características do cristal com o objetivo do kit (ametista para questões de ordem espiritual, quartzo rosa para as questões afetivas, etc.). O problema das Runas de cristal é que já vi alguns casos em que as pedras trincam de ponta-a-ponta depois de um certo tempo. O próprio chacoalhar das Runas dentro da sacola pode ser danoso. Para lançar sobre uma toalha, então, fora o incômodo do barulho, é quase certo as pedras quebrem ou rachem cedo ou tarde.

Em qualquer um dos casos, a gravação/pintura da madeira/pedra deveria ser acompanhada de um ritual. Geralmente este ritual consiste na concentração do Runemal à pintura ou gravação de cada Runa (não o faça assistindo a TV ou pensando em outras coisas, por exemplo) repetindo o verso correspondente ao Antigo Poema Rúnico Inglês e pedindo as bençãos dos deuses, pincipalmente às Norns, à Óðinn e à Freyja.
Nos EEUU existem algumas lojas com opções interessantes. A melhor delas é a Tara Hill Designs, que vende blocos de madeira já gravados ou "em branco", para você mesmo gravar. As Runas confeccionadas pelo Runemal são sempre mais "poderosas", acredite... Entre as possibilidades, você pode escolher se as suas Runas virão gravadas no freixo, teixo, carvalho (branco, marrom ou vermelho), bétula, maçã, azevinho ou olmo.
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